Canções libertárias: Los Hermanos, de Atahualpa Yupanqui

Publicado: 24/11/2011 em américa latina, canções libertárias, música
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Vou tentar inaugurar uma seção aqui nesta joça. Eu tentei isso uma vez pra falar sobre filmes que me chamaram a atenção e o saldo até agora é de um único filme publicado. Não que eu não tenha visto coisas interessantes desde então, muito pelo contrário, pois se é algo que eu tenho feito nos últimos anos (aquela postagem já tem algum tempo) é ver filmes. Quem sabe um dia eu retome. Outra coleção que teve o incrível número de uma postagem é o “Todos deveriam ouvir”, na qual eu  pretendia dar dicas de bandas que eu achava imprescindível – esse eu parei por preguiça, mas deve retormar antes dos filmes. Enfim, tudo vai estar aqui e quem quiser que leia, veja, escute e seja feliz.

Mas vamos ao ponto: escrevo aqui hoje para dar início a seção “Canções libertárias”. Vou tentar fazer isso pelo menos uma vez por semana (pode ser mais se eu me animar), postando canções libertárias que eu conheci e conheço ao longo da vida. Vale lembrar que quem escolhe se é libertário ou não sou eu, então, talvez isso seja mais subjetivo, mas é provável que a canção em questão sempre venha acompanhada de uma breve explicação.

Atahualpa Yupanqui

Atahualpa Yupanqui

Pra uma primeira postagem, achei justo colocar aqui um cara bastante interessante. Eu não ouvi tudo o que ele já produziu, mas tenho grande apreço por algumas de suas composições. Ele é Atahualpa Yupanqui, nome artístico de Héctor Roberto Chavero, argentino nascido em 1908 (Buenos Aires) e falecido em Paris (1992). Seu pseudônimo vem de Atahualpa e de Tupac Yupanqui, dois dos últimos governantes Incas antes da consolidação do domínio espanhol. Uma de suas canções mais famosas é “Los hermanos”, que ganhou versão de vários outros artistas dos quais eu destaco Mercedes Sosa e Elis Regina. A interpretação que faço para a música é de uma descrição breve e intensa dessa imensa pátria latino-americana, pois somos tantos, tantos irmãos que, como diz Atahualpa no primeiro verso, fica difícil de contar. Irmãos de todos os cantos, de todos os lados, de todos os tipos.

Então, se você ainda não teve a oportunidade de ouvir, escute agora a essa belíssima canção libertária.

Por Atahualpa Yupanqui

Por Mercedes Sosa

Por Elis Regina

Yo tengo tantos hermanos  /  Eu tenho tantos irmãos
que no los puedo contar.  /  que não os posso contar.
En el valle, la montaña,  /  No vale, na montanha
en la pampa y en el mar.  /  na planície e no mar.

Cada cual con sus trabajos,  /  Cada qual com seus trabalhos
con sus sueños, cada cual.  /  Com seus sonhos, cada qual.
Con la esperanza adelante,  /  Com a esperança adiante
con los recuerdos detrás.  /  Com as recordações para trás.

Yo tengo tantos hermanos  /  Eu tenho tantos irmãos
que no los puedo contar.  /  que não os posso contar.

Gente de mano caliente  /  Gente de mão quente
por eso de la amistad,  / por isso da amizade
Con uno lloro, pa llorarlo,  /  Com um choro pra chorá-lo
con un rezo pa rezar.  /  Com uma reza para rezar
Con un horizonte abierto  /  Com um horizonte aberto
que siempre está más allá.  /  Que sempre está mais além
Y esa fuerza pa buscarlo  /  E essa força pra buscá-lo
con tesón y voluntad.  / Com determinação e vontade

Cuando parece más cerca  /  Quando parece mais perto
es cuando se aleja más.  /  é quando se afasta mais.
Yo tengo tantos hermanos  /  Eu tenho tantos irmãos
que no los puedo contar.  /  que não os posso contar.

Y así seguimos andando  /  E assim seguimos andando
curtidos de soledad.  /  curtidos de solidão
Nos perdemos por el mundo,  /  Nos perdemos pelo mundo
nos volvemos a encontrar.  /  voltamos a nos encontrar

Y así nos reconocemos  /  E assim nos reconhecemos
por el lejano mirar,  /  pelo olhar distante
por la copla que mordemos,  /  pelo dístico que mordemos
semilla de inmensidad.  /  semente da imensidão

Y así seguimos andando  /  E assim seguimos andando
curtidos de soledad.  /  curtidos de solidão
Y en nosotros nuestros muertos  /  E em nós nossos mortos
pa que nadie quede atrás.  /  Pra que ninguém fique pra trás

Yo tengo tantos hermanos  /  Eu tenho tantos irmãos
que no los puedo contar.  /  que não os posso contar.
y una novia muy hermosa  /  e uma namorada muito bela
que se llama ¡Libertad!  /  que se chama Liberdade!

Comentários
  1. Ravel disse:

    Lindo post! Cheguei a ele pelo blog Educadores em Luta, e tratei de linká-lo em meu blog: arquivoscriticos.blogspot.com. Abraços libertários!

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