MST e os verbos à flor da terra

Publicado: 03/10/2011 em música
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Uma das características mais fascinantes do movimento zapatista, cuja expressão mais clara e direta é o Exército Zapatista de Libertação Nacional, é sua mística. Discursos que vão do lúdico ao lúcido na mesma oração, histórias apoiadas na riquíssima mitologia dos povos pré-colombianos que viviam na região das Américas Central e do Norte e uma série de metáforas são apenas alguns dos exemplos que mostram o quanto o EZLN possui uma expressão que vai além da luta política; ou, melhor dizendo, os zapatistas possuem expressões políticas de diversas formas.

Aqui no Brasil nós temos o MST e a relação de artistas com o movimento é bastante grande. Chico Buarque, Sebastião Salgado, José Saramago, Leci Brandão, O Teatro Mágico e até a banda estadunidense Rage Against The Machine, entre vários outros, já demonstraram publicamente seu apoio ao maior movimento social do mundo. Se às vezes parece que falta no MST um pouco desse apelo mais claro à utopia, essa coisa do “exército de sonhadores”, um tanto quanto bela e quixotesca, que possui o EZLN, não se pode dizer que não existe a mística dos Sem-Terra.

Contudo, me parece que, externamente, os zapatistas acabam tendo uma influência muito maior sobre o mundo artístico (por uma série de fatores que não cabe eu colocar aqui). Eu já possuia em MP3 uma coletânea do músicas sobre os zapatistas, com artistas de diversas partes do mundo cantando em referência às lutas tanto de Emiliano Zapata na Revolução Mexicano quanto dos zapatistas atuais, em Chiapas, sudeste do México, mas recentemente encontrei blogs especializados em canções do gênero. O Resistencia Sonora é um deles, e nele é possível achar uma série de links para outras páginas repletas de links do cancioneiro zapatista.

É claro que aqui temos artistas cujo trabalho é bastante envolvido com o MST e com a questão agrária. Um bom exemplo é o Pedro Munhoz, autor da belíssima “Canção da Terra”, que foi regravada pelo O Teatro Mágico em seu último trabalho (A Sociedade do Espetáculo, 2011) (escuta aí embaixo), dentre outras que envolvem a luta no campo. Mas isso ainda parece pequeno diante da grandeza e da amplitude do movimento. De forma mais ampla, o próprio MST trabalha com a questão artística, fomentando em seus encontros a produção de artes plásticas, teatro e música.

Saindo um pouco de artistas completamente vinculados à questão agrária, vou dar dois exemplos de músicas que tratam do tema de uma forma bem interessante. Primeiro, a canção “MST” do Dead Fish (álbum “Sirva-se”, de 1998). Um hard-core muito bem executado e que fala de forma clara e direta sobre o Movimento, citando inclusive o “Ocupar, produzir e resistir”, lema do MST. Dá o play e escuta:

Por fim, a última música da seleção, que foi a principal inspiradora para esta postagem, é “Verbos à flor da pele”, do FURTO (álbum “Sangueaudiência”, de 2005), a última ex-banda do grande Marcelo Yuka. A letra diz que “na Palestina verde, enchadas lutam contra armas” e traz no final um pequeno discurso de João Pedro Stédile (membro da coordenação nacional do MST) sobre a questão agrária brasileira. Aliás, o Yuka é um apoiador declarado do MST, sempre se posicionando ao lado da luta pela reforma agrária e sempre aparecendo, inclusive, com a bandeira do movimento.

Quem se interessa por músicas combativas, pode conferir também o disco “Arte em Movimento”, um álbum “oficial” do MST, com músicas que falam da luta no campo e contam com a participação de grandes nomes da música brasileira como Leci Brandão, Chico César e Beth Carvalho. Aqui você baixa e aqui você compra o disco.

BÔNUS

Já que eu falei em Rage Against The Machine e bandeira do MST, vale (sempre) relembrar a apresentação dos caras aqui no Brasil, durante o festival SWU, em 2010. Antes de começar a música “People of the sun”, que trata da dominação estrangeira e da luta por terra e liberdade no México, o vocalista Zack de la Rocha solta um: “essa próxima música vai para os irmãos e irmãs do MST… Por terra e liberdade!”.

Comentários
  1. Mayra disse:

    Como eu sempre digo, o mundo sem a arte não seria nada. Nunca tinha ficado sabendo de algum movimento artístico de auxílio ao MST, mas essas músicas são realmente boas! Enterarei-me no assunto assim que possível!
    (Arte é uma das coisas que deveria ser mais explorada na escola, seriam formados cidadãos mais críticos e ativos)

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