"Da lama ao caos" é o disco em que CSNZ resgatam a memória da Revolta Praieira

"Da lama ao caos" é o disco em que CSNZ resgatam a memória da Revolta Praieira

Uma das levadas mais alucinantes de todos os tempos segundo eu mesmo, “A praieira”, música de Chico Science & Nação Zumbi, que aparece no primeiro disco da banda lá em 1994, é também uma das canções mais interessantes e consagradas da banda pernambucana. Uma ciranda com guitarras e baixo casados em riffs marcantes, com uma letra que avisa que “uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor”, a música retoma uma das principais revoltas ocorridas no Brasil colônia, a Revolução Praieira.

Esta postagem vai tratar um pouco das duas Praieiras: tanto a revolta quanto a canção. Lembro-me de quando fui pra Recife e, na Casa de Cultura, uma casa de artesanato alocada na construção do que já foi um presídio, encontrei uma livraria repleta de livros sobre a história do estado de Josué de Castro e Paulo Freire. Lá, o livreiro, um senhor cujo nome eu já não lembro, contou que Pernambuco já havia tido 32 revoluções desde que começou a ser colonizado pelos portugueses no século XVI.

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Versos pra aurora

Publicado: 22/02/2012 em rima
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Da angústia que me cerca
Os problemas se misturam
Da falta de fumaça ao excesso de vegonha
O pudor na hora errada
Mais um gole na hora certa
Quando se encerra mais uma madrugada
E a mente se abre,
se fecha,
se liberta.

Maradona curte uma sonzera.

Maradona curte uma sonzera.

Já faz algum tempo que a figura de Diego Armando Maradona me impressiona. Depois de passar por aquela fase de brasileiro fanático por futebol que acredita quando o Galvão Bueno diz que a melhor coisa do mundo é ganhar dos argentinos e do senso comum tupiniquim de que o Maradona não passa de um “chincheiro” e encrenqueiro, eu comecei a prestar atenção em tudo que via sobre don Diego, tanto no YouTube quanto nos noticiários. Com uma tatuagem do Che, outra do Fidel, o cara é amigo pessoal do comandante cubano e também do Hugo Chávez e do Evo Morales. Ele organizou uma marcha anti-Bush e anti-Alca na Cúpula das Américas de 2005, em Mar del Plata, além de sempre se posicionar contra os poderosos e corruptos, dentro e fora do futebol.

Pois bem, por acaso eu acabei descobrindo que o Maradona influenciou argentinos e outros aficionados por futebol de outras partes do mundo não só dentro das quatro linhas, mas também na arte. Ele já foi tema de filme e de documentário e, volta e meia, ressurge no mundo da música, sob os mais variados acordes, sob os mais variados temas. Eu resolvi fazer uma lista das músicas que tratam, de uma forma ou de outra, sobre Diego Armando Maradona e toda a mística que envolve sua controversa figura.

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Tem aquela frase clichê do Antoine de Saint Exupéry que diz que o essencial é invisível aos olhos. É clichê, mas, como diz meu amigo Carlos Pegurski, clichês nem sempre são clichês à toa. E essa capacidade de enxergar um pouco mais do que apenas o que os olhos veem é uma característica imprescindível de um bom poeta.

Há muitos olhares sobre a vida dos trabalhadores, do campo ou da cidade. Apesar de hoje em dia, em época de “capitalismo tardio” e frustrações pós-modernas, como sempre lembra o meu professor Wilton Fred, não se ter mais aquela visão clássica do trabalhador, do operário ou do camponês, as angústias que atingem a vida de quem trabalha continuam tendo muito em comum com essa imagem. As angústias e os alentos.

Hoje me dei conta de dois olhares sobre o trabalhador, sobre a alma apaixonada de uma trabalhadora e um trabalhador. São duas canções que eu gosto muito e que ouvi nesses dias: a primeira é “Te recuerdo, Amanda”, do chileno Victor Jara, e a segunda é “Risoflora”, do eterno malungo pernambucano Chico Science e da sua Nação Zumbi.

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Quem me falou desta história em quadrinhos foi meu amigo Rodrigo Schoeps, malabarista lá do ABC Paulista. Como ele sabia que eu curtia coisas que envolvessem temas políticos, lutas sociais, anarquia e “Matrix”, ele sempre me passava referências interessantes sobre isso em HQs. “Os Invisíveis” e “V de Vingança” foram as duas principais indicações.

“Os Invisíveis” trata de uma sociedade secreta, mistura política com ocultismo, viagem no tempo e recrutamento de um “escolhido”. A trama é bem insana e conta até com um travesti brasileiro como um dos principais personagens. Reza a lenda que os irmãos Wachowski plagiaram se inspiraram na obra para criar a trilogia Matrix, o que teria rendido um processo por parte do autor, o escocês Grant Morrison (o que não sei se é verdade, pois, confesso, não fui pesquisar sobre). O fato é que as semelhanças entre as duas histórias são grandes, até pelo fato de um dos líderes da seita – conhecida como “Os Invisíveis” – ser um baita negrão que usa óculos redondo e veste sobretudo (qualquer semelhança com Mopheus, personagem de Laurence Fishburn, talvez não seja mera coincidência). Lendo a história e compreendendo o enredo, nota-se muito mais semelhanças com a obra-prima dos Wachowski.

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Vou tentar inaugurar uma seção aqui nesta joça. Eu tentei isso uma vez pra falar sobre filmes que me chamaram a atenção e o saldo até agora é de um único filme publicado. Não que eu não tenha visto coisas interessantes desde então, muito pelo contrário, pois se é algo que eu tenho feito nos últimos anos (aquela postagem já tem algum tempo) é ver filmes. Quem sabe um dia eu retome. Outra coleção que teve o incrível número de uma postagem é o “Todos deveriam ouvir”, na qual eu  pretendia dar dicas de bandas que eu achava imprescindível – esse eu parei por preguiça, mas deve retormar antes dos filmes. Enfim, tudo vai estar aqui e quem quiser que leia, veja, escute e seja feliz.

Mas vamos ao ponto: escrevo aqui hoje para dar início a seção “Canções libertárias”. Vou tentar fazer isso pelo menos uma vez por semana (pode ser mais se eu me animar), postando canções libertárias que eu conheci e conheço ao longo da vida. Vale lembrar que quem escolhe se é libertário ou não sou eu, então, talvez isso seja mais subjetivo, mas é provável que a canção em questão sempre venha acompanhada de uma breve explicação.

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Não é segredo pra ninguém que, depois do triunfo da Revolução Cubana no alvorecer de 1959, a relação diplomática da ilha de Fidel com os Estados Unidos tem sido bastante conturbada. Seja pelas expropriações de propriedades de estadunidenses em Cuba no início do processo revolucionário, seja pela Crise dos Mísseis nos efervescentes anos 60 ou pela incessante campanha contra o governo revolucionário cubano, o país caribenho sempre teve uma relação espinhosa com a nação mais belicosa da face da Terra. Recentemente, o fato que mais marcou o assunto Cuba-Estados Unidos foi a questão dos Cinco Cubanos, como ficou chamado o caso de agentes secretos cubanos infiltrados em organizações anticastristas de extrema-direita baseadas em Miami, Flórida, território ianque localizado a menos de 100 km da ilha cubana.

A partir dos anos de 1960, quando a Revolução Cubana começa a intensificar reformas consistentes no modo organização da Ilha, como a reforma agrária, Miami se torna o principal destino de exilados cubanos. É pra lá que fogem pessoas que, por um motivo ou por outro, veem o governo revolucionário como um problema a ser evitado ou, em muitos casos, combatido. É de Miami que partem as primeiras agressões externas à Revolução, como o episódio conhecido como Invasão da Baía dos Porcos, em 1961, em que exilados treinados pela CIA promovem um ataque à praia Girón, na parte sul da ilha. Apesar de frustrado, o fato inaugurou uma série de atentados que seriam levados à cabo por exilados cubanos sob as barbas das autoridades estadunidenses, quando não a própria agência de inteligência dos EUA participava de forma direta ou indireta (os serviços secretos cubanos afirmam que só Fidel Castro já resistiu a mais de 600 atentados).

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Aquele que não é ninguém
E é todos ao mesmo tempo
O pobre, o negro, o índio
O que sofre, o que não tem
Um choro calado no escuro
Um editor sem revista,
Um comunista pós-queda do muro
Judeu na Alemanha nazista
Palestino em Israel
Operário de chão de fábrica
Escritor sem caneta nem papel
Porta-estandarte de bandeiras coloridas
Nas marchas da paz, dos povos andinos
Ou na dos gays que tomam avenidas
Apenas mais um que luta
Que se esconde para ser visto
Um desempregado, uma prostituta
O marginal, o marginalizado
O manifestante criminalizado
Um Che Guevara encapuzado
A minoria na hora de sofrer
A maioria na hora de ficar calado
Um zapatista em Chiapas,
Um Sem-Terra no Brasil,
Estudante sem passe-livre
Um guerrilheiro sem fuzil
O cachimbo e o passamontanha
Fazem parte da indumentária
Fumaça, capuz e palavra
Armas da retórica libertária
Um renegado que persiste
Soldado pra que não haja mais soldados
A lúdica lucidez que resiste
Salve, salve Subcomandante Marcos.

Uma das características mais fascinantes do movimento zapatista, cuja expressão mais clara e direta é o Exército Zapatista de Libertação Nacional, é sua mística. Discursos que vão do lúdico ao lúcido na mesma oração, histórias apoiadas na riquíssima mitologia dos povos pré-colombianos que viviam na região das Américas Central e do Norte e uma série de metáforas são apenas alguns dos exemplos que mostram o quanto o EZLN possui uma expressão que vai além da luta política; ou, melhor dizendo, os zapatistas possuem expressões políticas de diversas formas.

Aqui no Brasil nós temos o MST e a relação de artistas com o movimento é bastante grande. Chico Buarque, Sebastião Salgado, José Saramago, Leci Brandão, O Teatro Mágico e até a banda estadunidense Rage Against The Machine, entre vários outros, já demonstraram publicamente seu apoio ao maior movimento social do mundo. Se às vezes parece que falta no MST um pouco desse apelo mais claro à utopia, essa coisa do “exército de sonhadores”, um tanto quanto bela e quixotesca, que possui o EZLN, não se pode dizer que não existe a mística dos Sem-Terra.

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Aconteceram antes de ontem, dia 17 de setembro, algumas movimentações nos Estados Unidos. Jovens resolveram ocupar, pacificamente, o coração do mercado financeiro mundial, a Bolsa de Valores de Nova Iorque em Wall Street. Muitas ocupações, bem maiores e com consequências bem mais drásticas, vamos assim dizer, rolaram tanto nos EUA quanto em outras partes do mundo nos últimos meses, como a Primavera Árabe, os Indignados da Espanha e os estudantes inssurrectos do Chile. Aí você me pergunta: por que carajo tratar desse caso dos EUA, que nem repercussão na mídia teve (ah vá, sério?) por aqui, salvo alguns gatos pingados (os mesmos de sempre)?.

A resposta é bem simples: porque isso me lembrou um clipe do Rage Against The Machine. O vídeo em questão, da música “Sleep now in the fire” (uma aula de ironia e história, diga-se de passagem), dirigido por nada mais, nada menos do que Michael Moore, mostra um miniconcerto realizado pela banda californiana na boca do inferno, lá onde as coisas acontecem e os rumos da sua, da minha, das nossas vidas são decididos por um bando de capitalistas engravatados que pouco querem saber de qualquer coisa que não envolva lucros, superávit, liquidez e a essa porra toda que a grande maioria dos mortais não faz ideia do que seja.

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