O craque e a criança

Créditos da imagem: Anderson Netto/Foto e Arte

Créditos da imagem: Anderson Netto/Foto e Arte

A década de 90 foi sofrida pra mim, futebolisticamente falando. Até meus 11 anos de idade, eu não tive a oportunidade de ver meu time comemorar um título de verdade — entre 1987, quando eu nasci, e 1999, ano em que voltamos a vencer o Campeonato Paranaense, o Coxa ganhou o estadual de 89, do qual não me lembro de nada, e o Festival Brasileiro de Futebol, um torneio amistoso em 97.

Durante os 90, o que sobrou pra mim, que fui Coxa desde sempre foi ser alvo de tirações de sarro pelos torcedores do grande time paraense da década, o Paraná Clube. Os tricolores eram os únicos na Série A do Brasileiro e, depois de duas décadas, repetiram o feito coxa-branca dos anos 70 e conquistaram um pentacampeonato estadual. O que nos restava era, no máximo, o vice-campeonato, além de muita zoeira adversária.

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Folha de SP e a dita-nem-assim-tão-branda

A

A “ditabranda” em mais um traço do genial Carlos Latuff.

Uma vez, a Folha de S.Paulo chamou o período compreendido entre 1964 e 1985 aqui no Brasil de “ditabranda”, como se a dita cuja da governância milica (com apoio de civis de várias ordens) não fosse dura, mas branda, leve, suave, nada comparado ao que se viu em outras paranças daqui e de lá, de antes de ontem, de ontem e de hoje.

Eis que um ex-delegado da Polícia Civil colocou algumas cartas na mesa. No depoimento à Comissão da Verdade paulistana, aquela comissão que muita gente foi contra e muita gente disse que “os dois lados deveriam ser culpados” — uma pena o Herzog, o Lamarca, o Marighella e tantos outros terem sido executados, perderam a chance de assumir suas culpas agora —, Cláudio Guerra falou um pouco sobre o seu papel durante o período.

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A ciência afrociberdélica permanece viva

 

Chico Science

Chico Science

Se estivesse vivo, neste 13 de março, Chico Science completaria 47 anos. Nada mais justo do que homenagear aqui um dos sujeitos que inspiraram o nome deste espaço e justamente com a canção da qual eu emprestei o título deste blog.

Vai lá um samba makossa da pesada para celebrar a passagem pela Terra deste grande olindense torcedor do Santa Cruz.

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Poesia que converge em Gil, Marley e Ali

Capa do disco

Capa do disco “Kaya’n'Gan Daya, lançado em 2002 por Gilberto GIl.

Há uma década mais ou menos, eu comprei o disco Kaya’n'Gan Daya, do Gilberto Gil, no qual o gênio tropicalista homenageva o gênio do reggae Bob Marley. Tirando uma música, todas as demais presentes no álbum são composições do Bob que foram regravadas por Gil. A música que não era regravação, mas sim uma canção inédita composta pelo baiano, chama-se “Table Tennis Table”. Nela, Gil canta mais ou menos assim:

Oh! Eu, nós. Sim! Eu, nós. O poema mais curto em toda a poesia. O poema que Cassius Clay declamou, como ‘Eu e Eu’, o mesmo ‘Eu e Eu’, idêntico ao ‘Eu e Eu’, a prece que o Rastaman proclamou.

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As limitações da democracia capitalista, por Slavoj Zizek

Ilustração de Clifford Harper.

Ilustração de Clifford Harper.

“Para ele [Karl Marx], a questão da liberdade não deveria ser localizada em particular na esfera política propriamente dita (o país tem eleições livres? os juízes são independentes? a imprensa é livre de pressões escusas? os direitos humanos são respeitados?, e uma lista similar de diferentes questões que as instituições ocidentais “independentes” — e não tão independentes — aplicam quando querem pronunciar um julgamento sobre determinado país). A chave para a verdadeira liberdade, em vez disso, reside na rede “apolítica” de relações sociais, desde o mercado até a família, em que a mudança necessária, se quisermos melhoria efetiva, não é a reforma política, mas a transformação nas relações sociais “apolíticas” de produção. Não votamos em quem deveria ser o dono do quê, nas relações em uma fábrica etc., tudo isso é deixado para os processos fora da esfera política, e é ilusório esperar que se possa mudar as coisas “estendendo” a democracia para essa esfera, digamos, organizando bancos “democráticos” sob controle popular.

Mudanças radicais nesse quesito deveriam ser realizadas fora da esfera dos direitos “legais” etc.: em tais procedimentos “democráticos” (que, é claro, podem ter um papel positivo), não importa quão radical seja o nosso anticapitalismo, busca-se a solução na aplicação dos mecanismos democráticos — os quais, não podemos esquecer, são parte do aparato estatal “burguês” que garante o tranquilo funcionamento da reprodução capitalista. Precisamente nesse sentido, Badiou está certo ao afirmar que hoje o nome do pior inimigo não é capitalismo, império, exploração ou algo similar, mas democracia: é a “ilusão democrática”, a aceitaçaõ dos mecanismos democráticos como a moldura fundamental de toda mudança, que evita a transformação radical das relações capitalistas.”

— Slavoj Zizek

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EZLN: 19 anos de dignidade rebelde

EZLN: 19 anos de dignidade rebelde

EZLN: 19 anos de dignidade rebelde

Se você procurar aí nos arquivos do blog, vai ver alguma postagem falando um pouco mais sobre o Ejército Zapatista de Liberación Nacional, o EZLN. Hoje, que é 31 de dezembro, é dia de relembrar o levante zapatista, que aconteceu na manhã de Ano Novo de 1994. Em 1º de Janeiro daquele ano, ou seja, amanhã completa 19 anos e o mundo voltava suas atenções para o México, para o sudeste do México, onde um bando de camponeses indígenas e mestiços,  um exército mambembe, mas com ideais firmes e uma grande dose de legitimidade, pegava em armas contra um governo, contra um sistema de governo, que queria apagá-los de vez da História.

Pois bem, para celebrar estes 19 anos do Já Basta!, um poema:

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Tom Zé e o Correio da Estação do Brás

Tom Zé - Correio da Estação do Brás (1978)

Tom Zé – Correio da Estação do Brás (1978)

À tarde, hoje, eu tirei um cochilo. Pela obra de algum exu arteiro e artista, despertei com vontade de escutar Tom Zé, acordei cantarolando a canção “Menina Jesus”. Eu não sei a música toda de cabeça, porque ela tem uma letra “complexa” e também porque eu escutei pouco o disco no qual ela se encontra. Mas então, liguei o computador, encontrei a pasta do disco “Correio da Estação do Brás” e curti o momento.

E foi um daqueles momentos em que a gente se lembra do motivo pelo qual é entusiasta de um artista, quando a gente se dá conta de que gostamos de um artista porque ele nem se pretende um artista. Lançado originalmente em 197, o LP traz 11 canções, cinco de um lado, seis de outro (mas você, jovem digital, não vai precisar posicionar a agulha nem tampouco virar o disco para curtir esta belezura — é só dar o play, macaco, e escute enquanto lê).

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Racismo e truculência da PM do Paraná

A Polícia Militar do Estado do Paraná, em mais uma peça de truculência, invade uma casa no Bairro Alto, casa em frente a uma praça na qual eu já corri e brinquei muito quando era piá, bate em pessoas comuns e desarmadas, leva gente presa sob aquela velha história do “desacato a autoridade”, pratica tortura e racismo de forma a invejar todas as demais polícias militares deste imenso Brasil.

Diz uma reportagem da RPC que os policiais perseguiam um motoqueiro que se recusou a mostrar seus documentos. Daí, a advogada Andréia Cândida Vitor (a moça do vídeo abaixo) relata que, na condição de advogada e vizinha da casa onde a PM tumultuava, se apresentou para acompanhar a abordagem. Foi ofendida de forma racista, presa e levada, junto com outros rapazes, para o módulo policial localizado na praça da Liberdade (para deixar a história toda um pouco mais irônica).

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