Vou tentar inaugurar uma seção aqui nesta joça. Eu tentei isso uma vez pra falar sobre filmes que me chamaram a atenção e o saldo até agora é de um único filme publicado. Não que eu não tenha visto coisas interessantes desde então, muito pelo contrário, pois se é algo que eu tenho feito nos últimos anos (aquela postagem já tem algum tempo) é ver filmes. Quem sabe um dia eu retome. Outra coleção que teve o incrível número de uma postagem é o “Todos deveriam ouvir”, na qual eu  pretendia dar dicas de bandas que eu achava imprescindível – esse eu parei por preguiça, mas deve retormar antes dos filmes. Enfim, tudo vai estar aqui e quem quiser que leia, veja, escute e seja feliz.

Mas vamos ao ponto: escrevo aqui hoje para dar início a seção “Canções libertárias”. Vou tentar fazer isso pelo menos uma vez por semana (pode ser mais se eu me animar), postando canções libertárias que eu conheci e conheço ao longo da vida. Vale lembrar que quem escolhe se é libertário ou não sou eu, então, talvez isso seja mais subjetivo, mas é provável que a canção em questão sempre venha acompanhada de uma breve explicação.

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Não é segredo pra ninguém que, depois do triunfo da Revolução Cubana no alvorecer de 1959, a relação diplomática da ilha de Fidel com os Estados Unidos tem sido bastante conturbada. Seja pelas expropriações de propriedades de estadunidenses em Cuba no início do processo revolucionário, seja pela Crise dos Mísseis nos efervescentes anos 60 ou pela incessante campanha contra o governo revolucionário cubano, o país caribenho sempre teve uma relação espinhosa com a nação mais belicosa da face da Terra. Recentemente, o fato que mais marcou o assunto Cuba-Estados Unidos foi a questão dos Cinco Cubanos, como ficou chamado o caso de agentes secretos cubanos infiltrados em organizações anticastristas de extrema-direita baseadas em Miami, Flórida, território ianque localizado a menos de 100 km da ilha cubana.

A partir dos anos de 1960, quando a Revolução Cubana começa a intensificar reformas consistentes no modo organização da Ilha, como a reforma agrária, Miami se torna o principal destino de exilados cubanos. É pra lá que fogem pessoas que, por um motivo ou por outro, veem o governo revolucionário como um problema a ser evitado ou, em muitos casos, combatido. É de Miami que partem as primeiras agressões externas à Revolução, como o episódio conhecido como Invasão da Baía dos Porcos, em 1961, em que exilados treinados pela CIA promovem um ataque à praia Girón, na parte sul da ilha. Apesar de frustrado, o fato inaugurou uma série de atentados que seriam levados à cabo por exilados cubanos sob as barbas das autoridades estadunidenses, quando não a própria agência de inteligência dos EUA participava de forma direta ou indireta (os serviços secretos cubanos afirmam que só Fidel Castro já resistiu a mais de 600 atentados).

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Aquele que não é ninguém
E é todos ao mesmo tempo
O pobre, o negro, o índio
O que sofre, o que não tem
Um choro calado no escuro
Um editor sem revista,
Um comunista pós-queda do muro
Judeu na Alemanha nazista
Palestino em Israel
Operário de chão de fábrica
Escritor sem caneta nem papel
Porta-estandarte de bandeiras coloridas
Nas marchas da paz, dos povos andinos
Ou na dos gays que tomam avenidas
Apenas mais um que luta
Que se esconde para ser visto
Um desempregado, uma prostituta
O marginal, o marginalizado
O manifestante criminalizado
Um Che Guevara encapuzado
A minoria na hora de sofrer
A maioria na hora de ficar calado
Um zapatista em Chiapas,
Um Sem-Terra no Brasil,
Estudante sem passe-livre
Um guerrilheiro sem fuzil
O cachimbo e o passamontanha
Fazem parte da indumentária
Fumaça, capuz e palavra
Armas da retórica libertária
Um renegado que persiste
Soldado pra que não haja mais soldados
A lúdica lucidez que resiste
Salve, salve Subcomandante Marcos.

Uma das características mais fascinantes do movimento zapatista, cuja expressão mais clara e direta é o Exército Zapatista de Libertação Nacional, é sua mística. Discursos que vão do lúdico ao lúcido na mesma oração, histórias apoiadas na riquíssima mitologia dos povos pré-colombianos que viviam na região das Américas Central e do Norte e uma série de metáforas são apenas alguns dos exemplos que mostram o quanto o EZLN possui uma expressão que vai além da luta política; ou, melhor dizendo, os zapatistas possuem expressões políticas de diversas formas.

Aqui no Brasil nós temos o MST e a relação de artistas com o movimento é bastante grande. Chico Buarque, Sebastião Salgado, José Saramago, Leci Brandão, O Teatro Mágico e até a banda estadunidense Rage Against The Machine, entre vários outros, já demonstraram publicamente seu apoio ao maior movimento social do mundo. Se às vezes parece que falta no MST um pouco desse apelo mais claro à utopia, essa coisa do “exército de sonhadores”, um tanto quanto bela e quixotesca, que possui o EZLN, não se pode dizer que não existe a mística dos Sem-Terra.

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Aconteceram antes de ontem, dia 17 de setembro, algumas movimentações nos Estados Unidos. Jovens resolveram ocupar, pacificamente, o coração do mercado financeiro mundial, a Bolsa de Valores de Nova Iorque em Wall Street. Muitas ocupações, bem maiores e com consequências bem mais drásticas, vamos assim dizer, rolaram tanto nos EUA quanto em outras partes do mundo nos últimos meses, como a Primavera Árabe, os Indignados da Espanha e os estudantes inssurrectos do Chile. Aí você me pergunta: por que carajo tratar desse caso dos EUA, que nem repercussão na mídia teve (ah vá, sério?) por aqui, salvo alguns gatos pingados (os mesmos de sempre)?.

A resposta é bem simples: porque isso me lembrou um clipe do Rage Against The Machine. O vídeo em questão, da música “Sleep now in the fire” (uma aula de ironia e história, diga-se de passagem), dirigido por nada mais, nada menos do que Michael Moore, mostra um miniconcerto realizado pela banda californiana na boca do inferno, lá onde as coisas acontecem e os rumos da sua, da minha, das nossas vidas são decididos por um bando de capitalistas engravatados que pouco querem saber de qualquer coisa que não envolva lucros, superávit, liquidez e a essa porra toda que a grande maioria dos mortais não faz ideia do que seja.

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Recife e Olinda em verso

Publicado: 13/09/2011 em música

Estive em Pernambuco durante a última semana. Mais especificamente, estive em Olinda e em Recife, em alguns bairros dessas duas jóias carregadas de história e de cultura. Além de toda a questão cultural no sentido mais amplo (como o contato direto com as culturas afro-indo-brasileiras) e das questões históricas latentes (como a “Invasão Holandesa” e a “Restauração Portuguesa“), um dos aspectos mais interessantes da viagem foi ver de perto lugares cantados em versos de artistas pernambucanos.

A cena mangue beat e também o chamado (?) “pós-mangue” (ou seja, artistas que vieram depois de Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e toda a turma dos caranguejos com cérebro) são famosos também por serem bastante urbanos. Nos versos de diversas canções são encontradas referências a lugares de ambas as cidades, talvez as mais importantes e emblemáticas de todo o rico estado de Pernambuco.

Sendo eu um grande interessado na cultura do mangue, passear por Recife e Olinda foi também presenciar os locais que inspiraram muitos versos que eu cantarolo por aí, dia e noite. Uma embolada com os bairros de Recife é citada por Chico Science em “Rios, pontes & overdrives” (e repetida por Otto em “Bob”), outra é cantada por Zé Brown e sua Faces do Subúrbio em “Butadas”, as referências a bairros de Recife e Olinda em “Free World” do Mundo Livre S/A e  em “Bairro Novo/Casa Caiada” da banda Eddie, também foram lembradas constantemente durante minha estadia em Pernambuco.

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Em “V de Vingança”, o protagonista mascarado diz o seguinte: “sob a frágil superfície da civilidade, o caos se convulsiona”. Alan Moore, autor da história em quadrinho, é inglês e a trama de “V” se passa numa Inglaterra dominada pelo fascismo. A Inglaterra de hoje talvez esteja bem distante da distopia criada por Moore, mas a frase de seu personagem reflete bem os últimos tempos na terra da rainha. Aliás, reflete bem acontecimentos que tomaram parte do mundo de assalto em diversos locais diferentes no ano de 2011: Tunísia, Egito e toda a Primavera Árabe, os indignados na Espanha, os estudantes insurgentes no Chile, os revoltados na Inglaterra.

Se alguém caiu na onda do Fukuyama e acreditou que a História realmente tinha acabado, soterrada pelos destroços do Muro de Berlim, bem, essa é a hora de olhar um pouco além do que se vê pra fora da janela. Se o Levante Zapatista de 1994, a Marcha do MST em 1997 e a continuidade da Intifada palestina não foram provas suficientes de que a História continuava a ser escrita por algumas porções de gentes, os acontecimentos desse início de década só colocam mais lenha na fogueira.

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Renato Russo falou essa frase há sabe-se lá quanto tempo, mas ela sempre vai fazer sentido… cada vez mais. Agora há pouco, recebo a notícia sobre uma “manifestação” de alunos da Universidade Federal do Paraná em que estes se posicionam para não ter aula no mês de janeiro de 2012. Isso acontece porque os servidores da UFPR estão em greve desde o último 15 de junho, o que ocasiona no atraso das matrículas dos belos estudantes de nossa querida Federal. Atrasar a matrícula significa atrasar a volta às aulas. Atrasar o retorno aos estudos significa ter que estudar em períodos que, normalmente, se está de férias, como os meses de dezembro e janeiro.

O resumo da obra é, então, um bando de estudantes revoltados com a pachorra de servidores públicos que fazem greve para reivindicar seus direitos. A central da revolta está sendo o Facebook, em que um evento foi marcado para  todos os indignados (com ter que estudar em janeiro, não com as condições dos servidores) confirmarem presença para demonstrar sua indignação. Aí é que eu começo a pensar um pouco sobre algumas coisas…

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Agora são 3h da manhã de uma quinta-feira, mas não tem como ir dormir sem colocar algumas coisas pra fora. As novidades que pipocam no meu Google Reader hoje me trouxeram mais um fato chocante¹. Um médico da marinha britânica é preso e expulso da corporação. O motivo? Ter se recusado a servir no Afeganistão. O jovem Michael Lyons, de 25 anos, alegou objeção de consciência para se recusar a participar de uma invasão militar a um país soberano que, em 10 anos, tem um número estimado entre 14 mil e 34 mil civis mortos (não entram na conta a morte de militares e rebeldes envolvidos no conflito, afinal, quem se importa com um homem armado sendo morto?).

Objeção de consciência é, em resumo, alegar motivos éticos, religiosos e/ou morais para se recusar a fazer algo. Algo plenamente justificável em países democráticos e que prezam pela liberdade de expressão de seus cidadãos (inclusive países que não levam tão em conta assim os direitos humanos de cidadãos de outras origens étnicas). Ou seja, Lyons alegou que não queria participar da truculência Ocidental no Afeganistão, dizendo ainda que soube de mais informações reais sobre a guerra por meio do Wikileaks (olhaí os danados do Assange & Sua Turma incomodando gente poderosa outra vez!).

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Lendo as atualizações que aparecem no meu Google Reader, deparei-me com uma postagem do Conversa Afiada, o portal do Paulo Henrique Amorim. O título era curioso: “CNJ vai expulsar juiz contra união gay ?“. Na seção “Navalha”, na qual o PHA dá suas análises cortantes do que é escrito, o jornalista pergunta se o Conselho Nacional de Justiça, o CNJ, vai se posicionar sobre um juiz (que é pastor da petencostal Assmbleia de Deus) que anulou uma união homoafetiva, contrariando a decisão suprema do Supremo Tribunal Federal. Ora, ora, não é à toa que o STF é chamado de Supremo, pois suas decisões servem de jurisprudência para casos futuros. Exemplo: o STF liberou a Marcha da Maconha, logo, juízes de instâncias menores não podem proibir a tal marcha. Fácil de entender, né?

Mas, por increça que parível, não foi isso que mais me decepcionou. Os comentários que aparecem o site são, no mínimo, lamentáveis.  Gente religiosa, muito provavelmente cristã, comenta lá a favor e contra a decisão do juizão. O primeiro comentário nos dá a seguinte pérola:

Quando a lei humana enfrenta a lei de DEUS, deve-se obedecer a lei de DEUS!

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